Na mídia

O lado pessoal das decisões empresariais

Jornal do Comércio — Porto Alegre · Porto Alegre, 26, 27 e 28 de junho de 2026 · Editoria Opinião / Artigos, pág. 4 · Reportagem: Artigo assinado

Entrevistado: Sandro Wainstein Advogado especialista em gestão de riscos e negociação

4 min de leitura

Página 4 de Opinião do Jornal do Comércio com o artigo “O lado pessoal das decisões empresariais”, assinado pelo advogado Sandro Wainstein
Na mídiaJornal do Comércio — Porto Alegre · Editoria Opinião / Artigos, pág. 4
JUN 2026
Publicação original — Jornal do Comércio, Opinião, pág. 4, 26 a 28.6.2026 (artigo “O lado pessoal das decisões empresariais”)

Toda decisão empresarial carrega, por trás de números, relatórios e projeções, um elemento inevitável: a decisão humana. Ainda que revestidas de racionalidade, estratégia e análise de mercado, as escolhas feitas dentro de uma empresa são, antes de tudo, reflexo de valores, experiências e percepções individuais de quem as toma.

É comum tratar o ambiente corporativo como um espaço técnico, quase impessoal. No entanto, essa visão ignora um fator determinante: empresas não decidem, pessoas decidem. E essas são influenciadas por repositórios próprios, medos, ambições e até mesmo pelo momento de vida. A contratação de um executivo, a expansão para um novo mercado ou a decisão de encerrar uma operação raramente são movimentos puramente objetivos. Há sempre uma camada subjetiva orientando o caminho, ainda que de forma silenciosa.

Reconhecer isso não fragiliza a gestão — pelo contrário, a fortalece. Quando o empresário entende que suas escolhas também são pessoais, ele passa a decidir com mais consciência e responsabilidade. Isso implica olhar para além dos indicadores e considerar impactos que não cabem em planilhas, mas que são determinantes para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Esse entendimento também muda a forma como riscos são avaliados. Muitas vezes, a mesma informação leva a decisões distintas justamente porque cada líder atribui pesos diferentes às variáveis envolvidas. A tolerância ao risco, a visão de futuro e até experiências anteriores influenciam diretamente o caminho escolhido. Trazer essa dimensão para o centro da análise torna o processo decisório mais transparente e consistente.

Nesse contexto, a advocacia estratégica ganha um papel mais próximo e relevante. Não se trata apenas de interpretar leis ou mitigar riscos, mas de compreender o momento do cliente, seus objetivos e suas motivações. O advogado deixa de ser um agente reativo e passa a atuar como um parceiro de reflexão, alguém capaz de traduzir cenários complexos em decisões mais seguras, coerentes e alinhadas com a realidade de quem empreende.

Ao humanizar as decisões empresariais, também se transforma a forma de assessorá-las. E isso não é um detalhe: é uma mudança de perspectiva que aproxima o direito do cotidiano das empresas, tornando-o mais acessível, mais estratégico e, sobretudo, mais conectado com quem realmente decide.

O advogado deixa de ser um agente reativo e passa a atuar como um parceiro de reflexão.

— Sandro Wainstein, Jornal do Comércio

Suas decisões empresariais consideram também a dimensão humana por trás dos números?